Blog · Gestão do Negócio · 8 min de leitura

Precificação: quanto cobrar pelo seu produto (com fórmula)

Custo real, margem de lucro e preço de mercado: um método simples com fórmula para definir preços que dão lucro de verdade na sua loja.

Os relatórios de vendas da loja

Metade das lojas pequenas cobra "o que o mercado cobra" sem saber se aquilo dá lucro — e descobre no fim do ano que trabalhou muito para sobrar pouco. Precificar bem não exige planilhão nem consultoria: exige três números honestos e uma fórmula de uma linha.

1. Custo total do produto (o número que quase todo mundo erra)

Some tudo o que sai do seu bolso naquele item:

  • O produto em si (ou matéria-prima, se você produz);
  • Embalagem, sacola, cartãozinho, fita;
  • Taxa da maquininha ou do Pix (quando houver);
  • Parte proporcional do frete que você pagou para trazer a mercadoria;
  • Uma fração dos custos fixos (embalagem de envio, etiquetas, mensalidades).

Esse é o custo real — quase sempre 15% a 30% maior do que parece à primeira vista. Custo subestimado é a origem de quase todo preço errado.

2. Margem de lucro (a fórmula certa)

Sobre o custo real, aplique a margem desejada com a fórmula:

Preço = Custo ÷ (1 − margem%)

Exemplo: custo R$ 30 com margem de 40% → 30 ÷ 0,6 = R$ 50.

Cuidado com o erro clássico: "custo + 40%" (30 × 1,4 = R$ 42) não é margem de 40% — nesse caso a margem real é de 28,5%. A diferença parece pequena, mas repetida em centenas de vendas é o seu lucro do ano evaporando.

Qual margem usar?

Depende do nicho, mas para revenda em loja pequena, margens saudáveis costumam ficar entre 35% e 60%. Produção própria (doces, artesanato) pede margens maiores — seu tempo de produção é custo, não lucro.

3. Realidade do mercado

Compare com concorrentes do seu nível (não com a grande varejista que compra em volume industrial). Se seu preço ficou muito acima:

  • Ou você comunica um diferencial real — qualidade, entrega rápida, atendimento, embalagem de presente;
  • Ou renegocia custo (fornecedor melhor, compra maior — ser MEI ajuda aqui);
  • Nunca simplesmente corte a margem "no olho" para cobrir o desconforto.

Armadilhas comuns

  • Não pagar o próprio salário: seu tempo é custo. Inclua-o, nem que seja simbólico no início;
  • Desconto por impulso na conversa: cada 10% de desconto numa margem de 40% leva um quarto do seu lucro. Desconto precisa de estratégia — promoção que dá lucro tem método;
  • Preço quebrado demais (R$ 47,83): use âncoras limpas — R$ 47,90 ou R$ 49;
  • Frete engolido em silêncio: entrega tem custo; cobre certo ou anuncie a cortesia.

Revise a cada 3 meses

Custo sobe em silêncio: fornecedor reajusta, embalagem encarece, o frete muda. Agende uma revisão trimestral de preços — meia hora na agenda — ou descubra no fim do ano que trabalhou de graça. Com os produtos cadastrados numa loja online, atualizar preço é editar um campo: a vitrine inteira reflete na hora, sem refazer tabela nem reenviar catálogo.

Perguntas frequentes

Concorrente vende mais barato que meu custo. E agora?
Ele compra melhor, vende outra coisa (isca) ou está quebrando sem saber. Não entre na guerra: dispute em atendimento, curadoria e conveniência — onde loja pequena ganha.

Aumento o preço dos clientes antigos?
Sim, com aviso e elegância: "a partir do mês que vem, novos valores". Quem valoriza seu produto entende; segurar preço defasado por medo é pagar para trabalhar.

Preço diferente no atacado?
Faz sentido a partir de quantidade que compense a margem menor pelo giro maior. Defina a tabela (ex.: acima de 10 peças) e mantenha a regra igual para todos.